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leve

  • 31 de jul. de 2021
  • 2 min de leitura

as gerações que viveram o século 20 sentiram o gosto da experiência das guerras. da falta de comunicação. do tardar das notícias. do silêncio. do não saber. nós, habitantes do mundo 3D nos anos 20, do século 21, vivemos outros tipos de confrontos e de limitações. isolamento. quarentena. falta de espaço pra quem se sente sufocado por aqueles com os quais é obrigado a dividir um teto. o espaço que sobra para aqueles que estão em estado de eremita, isolados da vida lá fora, da família, dos amigos, dos afetos e desafetos. eu mesma me sinto numa torre. ainda por cima tem estado gelado e o frio acaba nos recolhendo ainda mais para dentro de nós mesmas. seja pelo efeito de tantas camadas de roupa, seja porque de fato nos encolhemos. há meses sozinha, na vida e por conta da quarentena, parece que me reacostumei a estar só comigo mesma. só com meus pensamentos. só com os meus escritos, com as vozes na minha cabeça, espírito e coração. como fiz tantas vezes quando ainda nem existia internet e "relações" virtuais. sempre apreciei ficar comigo mesma. isolada. e segui praticando isso ao longo da vida. mesmo durante namoros. durante o casamento. quando a gente se separa, reaprende a ter tanto espaço no entorno. é convidada a reaprender a lidar com tudo o que sobra: espaço, horas vagas, tempo. a quarentena nos obrigou a convivermos mais tempo conosco mesmas e com quem não tolerávamos mais, mas a rotina puxada da semana e a possibilidade de respirar lá fora nos ajudava a criar o simulacro de que tudo estava bem, quando na verdade vibrava na energia do caos. a quarentena nos obrigou a muitos enfrentamentos. quem se entregou à jornada de espírito e coração, reaprendeu. se redescobriu. se libertou. foi obrigada a se transformar. a reconhecer que novos caminhos se tornaram necessários. a reconhecer que não há bem-estar sem harmonia do coletivo. a reconhecer que o mundo vibra na energia de muitas dores. curar não é só necessário como é uma questão de sobrevivência. quem não cura, é atropelada pelo tempo. é atropelada pela vida. a gente tem que aprender a saltar. mas pra isso, a bagagem há de ser leve. a gente aprende a lição: só leve o que te faça voar.



 
 
 

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